Metal day @ FIL, Lisboa
23/01/2010

 

Moonspell  fecham a digressão do Night Eternal em solo português…

Apesar da mais internacional banda portuguesa ter regressado ao seu país de origem para terminar a longa tournée do último álbum, Night Eternal (2008), os temas apresentados não se limitaram, de longe, a este último. A promessa de um alinhamento especial para esta megaprodução da banda da Brandoa foi inteiramente cumprida, de tal forma que, na verdade, entre o total de 21 músicas que tocaram no pavilhão da Fil, na capital, apenas três pertencem ao Night Eternal. Houve uma preocupação evidente em presentear o público, sobretudo os fãs mais antigos, com músicas que há muito não eram tocadas ao vivo, numa atmosfera de nostalgia e reavivamento do espírito presente nos seus primeiros trabalhos, embora a passagem por todos os álbuns tenha sido relativamente homogénea.
A primeira surpresa da noite, uma vez que é algo que muito raramente acontece, foi o concerto ter começado às 23h, como previsto. Os que se deslocaram descontraidamente ao recinto, convencidos que teriam tempo de sobra para chegar ao pavilhão e arranjar um local razoável para assistir ao espectáculo, tiveram uma grande desilusão, visto que já havia lugares “marcados” desde as 18h.
Através de duas horas consecutivas de actuação, o que representa uma duração bem acima da média, a bandaconseguiu despertar no público, composto por faixas etárias bastante variadas, desde os mais adolescentes aos mais “veteranos”, a sensação quase literal de noite eterna. Este foi, portanto, um concerto que fez sem dúvida justiça ao nome do último álbum! A qualidade do som e a boa aderência de todos os que assistiram ao espectáculo, foram mais dois factores que contribuíram para o balanço positivo desta noite.
Outra promessa cumprida durante esta refrescante exibição, foi a dimensão da produção audiovisual realizada, que, com efeito, foi a maior desde a apresentação do Under Satanae, no Halloween de 2007, no Coliseu de Lisboa. Utilizando um ecrã gigante, onde foram sendo feitas projecções que ilustravam a temática particular de cada uma das 21 músicas, a banda levou os fãs numa apelativa viagem feita de imagens que se tornaram parte do seu universo tão peculiar e que ainda hoje lhe continuam inevitavelmente associadas.
Abrindo o concerto com faixas como At Tragic Heights e Night Eternal, garantiram um início potente que se prolongou através de Finisterra. A estas seguiram-se Memento Mori e The Southern Deathstyle, na qual Fernando Ribeiro recorreu ao adereço habitual, os dois bastões com caveiras. A passagem pelo Butterfly FX ficou marcada por uma das suas músicas mais fortes do ponto de vista semântico, Soulsick. Em seguida foi a vez de Opium e Herr Spiegelmann, que permitiram uma visita aos tempos do Irreligious. O segundo destes temas foi um dos momentos altos do concerto, não apenas por já há muito não ser tocado, mas principalmente por ter sido acompanhado do fantástico jogo de espelhos/ luzes, antigamente utilizado durante a tournée de promoção do respectivo álbum. Para mim foi, definitivamente, a maior surpresa.

Após este momento de destaque, chegou a vez de um clássico, Everything Invaded e da mais recente Scorpion Flower, em que os vocais femininos foram assegurados por dois dos elementos das Crystal Mountain Singers, o coro feminino que colaborou na produção do Night Eternal, já que Anneke Van Giersbergen não pôde estar presente novamente. Foram também estes elementos que se encarregaram das restantes vozes femininas ao longo do espectáculo. Os momentos seguintes foram para “viajar” e relaxar, com temas como Luna, Nocturna e a inesperada Magdalene, a faixa que fez com que o álbum Sin/Pecado não ficasse excluído do programa desta noite, na qual mais um bastão foi usado como recurso dramático complementar ao concerto, desta vez com uma serpente que simbolicamente remete para a ideia de pecado, título do álbum. As últimas da noite, Vampiria, Mephisto e Alma Mater já não foram assim tão inesperadas, visto que os alinhamentos actuais raramente passam sem elas. Na Mephisto foi de salientar a pirotecnia apropriada à natureza da música, transformando-a em mais um dos pontos altos do concerto, facto aliás visível na reacção de identificação e euforia do público. Entre ela e Alma Mater veio ainda uma rápida cover da TNT de AC/DC, que ocupou apenas alguns instantes e serviu para fazer uma pausa.
À semelhança do que aconteceu com o resto da actuação, também o encore foi mais longo do que o público está acostumado, sendo composto por 5 músicas. As duas primeiras foram In & Above Man e From Lowering Skies, tendo a poderosa Blood Tells ocuado o lugar seguinte. A última surpresa da noite foi a serena versão acústica de Os Senhores da Guerra, a cover de Madredeus lançada juntamente com o Darkness and Hope (2001). Esta versão acústica conheceu aqui a sua estreia ao vivo com o objectivo de testar a reacção do público, visto que tencionam lançar um álbum em acústico brevemente, tal como já anunciado antes. Finalmente, “the last but not least”, o hino-tema com que costumam encerrar, Full Moon Madness, veio fazer as despedidas daquele que talvez seja o último concerto de Moonspell em território nacional nos próximos tempos.
Com um resultado que cumpriu perfeitamente os objectivos do evento, certamente que mais superproduções destas aguardarão futuramente os fãs e vice-versa.

 

Texto: Joana Neves "LunaSanguine"
Fotos: Filipe Gomes "Mütiilator / Infernalord Photography"